Guarda-chuva

Nunca me achei uma pessoa adepta à guarda-chuvas. Constatei minha teoria quando morei na Inglaterra. Lá guarda-chuva é coisa séria. As pessoas lidam com esse apetrecho com assaz destreza que parecem seguir uma série de regras de etiqueta com a sombrinha na mão. Movem para cima, para o lado, se abaixam…fazem manobras incríveis para não esbarrar no guarda-chuva vizinho sem se molharem, tudo isso com classe. Eu, ao invés, parecia a Mulan tentando segurar a espada pela primeira vez, toda desengonçada.

Tentei aprender, mas não é fácil entrar para esse clubinho. Te ensinam a andar de bicicleta, dirigir, fazer ovo frito, mas ninguém te ensina a andar com guarda-chuva. E aí, como uma pessoa parando o trânsito para fazer baliza, você ouve as buzinas em forma de olhares de reprovação e pseudo-palavrões – oh buggar, watch out!!

Pobres ingleses que, diferente de mim, não tiveram o privilégio de nascer na pequena grande Criciúma, uma cidade cheia de marquises! Lá é possível passar quase ileso por um temporal, não fosse o fato das pessoas providas de guarda-chuva ocuparem todas as marquises da cidade. Além de deixarem os meros mortais se molharem de graça, ainda ajudam com aqueles pingos que escorrem da ponta de suas sombrinhas. Oh buggar, watch out!!

Então resolvi morar numa cidade onde chove em um ano o que chove em um dia na terra da rainha. Meu guarda-chuva pega mais pó do que gotas d’água. Para minha sorte, porque aqui o vocabulário de palavrões é tão extenso que as vezes é usado como vírgula, porca troia.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s