Hoje faz um ano…

…que encaixotei minhas tralhas e resolvi fazer de uma mochila meu armário. Não que tenha sido difícil, tenho poucas roupas e já era mais do que hora de partir.

Eu tinha meus motivos pessoais/profissionais e um plano “A”: me estabelecer na Europa, onde eu encontrasse um trampo e pudesse continuar viajando nas horas vagas.

Decidi em maio, saí do trabalho em junho, mas foi só em setembro que comprei minha passagem sem volta para…

Israel.

Fui morar na casa de um casal que eu não conhecia com um cara que eu tava num relacionamento a menos de seis meses e dormir num bunker. Na época me pareceu tudo normal, mas escrevendo agora admito que exige uma certa coragem.

É claro que o tal “sonho americano” não duraria muito tempo pra uma pessoa perdida como eu. O plano “A” virou o bom e velho “tiro no escuro”. Se o início já saiu dos trilhos, melhor deixar rolar e ver onde eu ia parar afinal.

Foram 20 quilos de mochilas nas costas, 10 países, diversos idiomas, um camping hippie no deserto, um camping beduíno, um camping no alto das montanhas, alguns hostels e algumas casas de amigos; trens, aviões, bicicletas, barcos, ônibus, carros, 1000 degraus de escada, 1.666 metros de altitude a pernadas; 40 graus de sol e 0 graus de vento na careca; duas comemorações de ano novo e dois casamentos: um como madrinha e um como noiva; um cachorro adotado e novos amigos de tudo quanto é lugar. Também foram muitos currículos enviados, inclusive para o Japão (segundo o Cabral um dos meus maiores atos de desapego), muitos “nãos”, algumas entrevistas e uma surpreendente oportunidade de voltar a trabalhar como professora de modelagem – dessa vez em Milão.

Durante tudo isso passamos de nômades que perambulam por cidades a nômades que perambulam por agências imobiliárias atrás de um cantinho para chamar de casa. E aí surgiram mais “nãos”, outra mudança com as mochilas e um apê sem gás em pleno inverno europeu. Mas como diria o ditado: “a gente sai do Quênia, mas o Quênia não sai da gente” – eu improvisei banhos quentes com chaleira elétrica enquanto o Cabral pegava lenha do vizinho para alimentar nossa fogueira dentro de casa.

Mais um acampamento pra conta, dessa vez dentro do próprio apartamento.

Agora temos uma cama pra chamar de nossa (por enquanto) e um sofá para oferecer a quem também resolva se aventurar ou apenas fazer uma visita. A cada pessoa que passa por aqui, com sua bagagem e história, eu lembro do dia que largamos nossas mochilas ainda empoeiradas da viagem à Cuba, desenhamos um mundo num quadro e eu disse: “a gente deveria conhecer o mundo todo”. O Cabral riu da ideia maluca enquanto meus olhos brilhavam.

Mal sabíamos que dali pra frente teríamos tanta história pra contar que daria um livro, e isso que ela está só começando…Porque a gente não decide de onde vem, mas podemos sempre escolher para onde ir. E, apesar das preocupações e perrengues não mencionados, se perder com a velha mochila ainda continua sendo a melhor opção.

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