Notas de uma viajante – parte 4

As vezes parece que ouço todas as línguas do mundo dentro de um único vagão. Sempre tive a curiosidade de saber como o português brasileiro soaria à meus ouvidos se não fosse minha madre língua. Já que isso não é possível, acabo descobrindo pelas outra pessoas.
Tirando o fato de que temos uma diversidade de sotaques – e nunca entenderei porque insistem que catarinenses falam “cantado” – já ouvi que nosso português “parece francês”; “É só colocar “inho” no fim das palavras”; “É só colocar “ão” no fim das palavras”; “parece um gay falando russo” – esse com certeza foi o mais curioso.

                                                                                   
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Fui para Portugal e me encontrei tendo dificuldades para entender o meu próprio idioma. As vezes uma pessoa engatava uma conversa e eu sorria e concordava quando não entendia uma frase. Se me fizeram alguma pergunta, eu respondi com “hehehe eerr” – com certeza o outro lado também não entendeu.

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Lá, aprendi umas palavrinhas diferentes como “próxima paragem” – para próxima parada. Taí uma frase que aprendi em várias línguas: inglês (next stop); italiano (prossima fermata); francês (prochain arrêt); hebraico (rátabaa rabaaná – ao menos era isso que soava para mim) e em suaíle queniano que era basicamente uns socos na porta de fora do bus. Já posso me considerar uma poliglota do transporte público?

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