Não esqueça seu passaporte, nem o nome do seu avô.

A primeira vez que entrei em Israel eu não tinha bilhete de volta, o que poderia ser um grande motivo para me fazerem mil perguntas e explicava minha ansiedade. Para minha surpresa o policial nem um “oi” sequer me deu. Pegou meu passaporte, imprimiu o papel de entrada* e finalmente coloquei meus pézinhos em Tel Aviv.

Então resolvi fazer uma viagem com meu companheiro para Eilat, uma praia no sul do país. Pegamos um voo low cost. O que demais poderia acontecer, viajando dentro do país? Um festival de segurança, é claro.

Resumidamente os passos foram:
1 – Responder perguntas de um policial, que depois chama outro para confirmar todas as respostas novamente.
2 – Passar bagagens no raio X.
3 – Pegar um papel que confirma que suas bagagens estão ok (ou seja, você não é um terrorista).

4 – Fazer o check-in. Isso mesmo. Pra chegar ao balcão do Check-in, deve-se passar por tudo isso antes. E, ao entrar no portão de embarque, se passa por outra revista.

Na nossa primeira série de perguntas x resposta israelenses, aprendemos que falar que não morávamos na mesma cidade no Brasil já era algo para desconfiarem:
– Qual a distância entre Porto Alegre e Criciúma?
– Umas 3 horas de carro.

– O QUE?? Como vocês conseguem? Aqui se faz o país todo em 5 horas!

Seguido do furo do meu companheiro, ao responder “desde quando vocês se conhecem?”.

A resposta é março. Ele disse fevereiro. Eu respirei fundo e concordei para não ter problemas. Depois comecei a rir imaginando uma D.R. na frente da policial.

De Eilat, atravessamos a fronteira a pé para Jordânia. E, no meio daquele deserto, a diferença entre as imigrações eram latentes: do lado Israelense tudo automatizado, limpo, organizado. Do lado Jordão, um policial sentado numa cadeira vendo as pessoas passarem enquanto o raio X apitava. Devia estar quebrado ou eles não se importavam mesmo. Tinha muita areia e moscas também.

Depois da nossa pequena aventura na Jordânia, com direito a dormir em camping beduíno e subir mil degraus de pedra no sol escaldante de 40 graus, era hora de tornar a fronteira e…

– Quanto tempo vocês ficarão aqui?
– Um mês  (na verdade a gente não tinha nada planejado)

– UM MÊS EM ISRAEL?? O que vocês vão fazer com todo esse tempo aqui??

Digamos que não foi uma ótima propaganda turística da parte da policial, mas entramos e demos de cara com outro policial que perguntou qual a origem do meu sobrenome e como se pronunciava. Mais estranho que isso, só o policial que perguntou qual o significado do meu nome quando eu decidi sair do país. Sim, para sair de Israel também se passa por todas as fases e revistas antes e depois  do check-in. Se você está viajando por aí sem uma data de retorno para sua terra natal, a segurança dobra. Eles também costumam perguntar sempre o nome do seu avô, então esteja preparado para não passar por situações como essa:

A última vez que fomos para Israel, mandaram-nos para tal salinha. Depois de duas horas de espera, o policial pegou todos nossos dados e fez perguntas bem simples: nome dos pais, nome do avô paterno, onde mora, que trabalho faz, quantos dias/onde ficará/qual o motivo da viagem. Eu respondi primeiro, tranquilamente. O que poderia dar errado, não é?

Meu marido não sabia o nome do próprio avô.
– Eeer…eu não sei. Pode ser…João..ou..Pedro?! É que…

Enquanto ele explicava o motivo, eu já imaginava toda a tragédia de ser expulsa de um país, o trabalho de ter que comprar um voo as pressas para sei lá onde, tudo isso depois de mal dormir.

Mas deu tudo certo. Entramos mais uma vez em Tel Aviv, passamos o ano novo na casa de amigos queridos e o Cabral finalmente aprendeu o nome do avô. Que, não é o famoso Alvares, mas também é Pedro.

*Ao entrar e sair de Israel, o passaporte não é carimbado devido ao fato de alguns países não o reconhecerem. Por isso é impresso um papel como esse na entrada e na saída do país:

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