Brasileira?

Já morei em alguns países e perambulei por muitos outros, esbarrando com pessoas de diversas nacionalidades. É inevitável a tendência de julgar o desconhecido pelos meios de informação que temos a mão, e eles muitas vezes são pobres ou nos mostram apenas um lado. Por isso são tão comuns os famosos estereótipos.

Eu já fui confundida como estrangeira dentro do meu próprio país. Numa dessas vezes, uma mulher vendendo bolsas me parou na rua e começou a falar em sílabas: “VO-CÊ QUER COM-PRAR ES-TA BOL-SA?” e continuou vendendo seu peixe enquanto eu pensava em como um estrangeiro de fato, sem saber um “ai” de português, entenderia o que a senhora estava a dizer?

Também já fui confundida com outra nacionalidade fora dele. E nessa sina alheia por estereótipos, já ouvi coisas como: “Você é muito magrela e muito pálida para ser brasileira.” ou “Mas como você é brasileira com esse cabelo azul?” (cor do meu cabelo na época).

As pessoas vão perguntar se você gosta de futebol e se chocar se a resposta for negativa. Também vão perguntar se você sabe sambar e pedir para ensina-las se a resposta for positiva. Muitos vão confundir sua madre língua com espanhol e muitos vão se surpreender quando você disser que no sul do país faz um frio do cão no inverno.

Rio de Janeiro e Salvador são as regiões mais conhecidas pelos estrangeiros e, entre as palavras, “obrigada” e “caralho” são as campeãs.

Cuidado com a rasgação de elogios sobre a capital brasileira. Podem estar falando de Buenos Aires. Já vi dois americanos cometerem esse engano, assim como o famoso “Brasil é tudo favela, não é?”

Quando decidi morar no Quênia, ouvi, seja de brasileiros que de europeus: “Cuidado com a AIDS!” e a famosa confusão entre o nome do país e o nome do continente, África. Quando fui para Israel: “Cuidado com as bombas!” – sendo que o país é um dos mais seguros que já visitei.

Por isso acredito que não é apenas viajando que estereótipos são quebrados. Mas, sim, se abrindo ao desconhecido, conversando com locais, vivenciando a cultura, mesmo que apenas por um dia.

Porque o mundo vai muito além da tela do noticiário.

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