Chegada em solo cubano.

Atravessamos os portões de chegada no aeroporto quase 2 da manhã. Amaury nos esperava com um sorriso no rosto, enquanto segurava um papel assinalando meu nome e “Kuky’s Place” – apelido da dona da casa onde iríamos passar a semana.

Cabral (não é o Pedro, mas também veleja por aí) logo tirou a câmera da mochila e começou a bater fotos de Amaury como um turista em primeira viagem. Na verdade a foto foi um pedido de Darmy, filha de Kuky, para que pudesse enviar para os próximos hospedes. Amaury continuava sorrindo, simpático.

Primeira coisa a se fazer: trocar dinheiro, já que só é possível obter a moeda cubana dentro do próprio país. Trocamos euros por CUC – moeda para turistas. Trocar dólares ainda não é vantajoso pois cobram uma taxa maior em cima do câmbio.

Seguimos para o carro de Amaury, um Plymouth de 1949, tipo de veículo muito comum nas ruas de Havana.

Partimos.

Pelas ruas na madrugada algumas pessoas caminhavam sem medo. “A violência em Cuba é dançar salsa.” – nos disse mais tarde um cidadão local.

Os postos de gasolina pareciam nos reportar para os anos 50, com os contadores analógicos e toldos listrados. A cada esquina um lembrete sobre a revolução ou sobre Fidel; nos muros, nos outdoors, nas fachadas.

Quando questionado sobre o sistema, Amaury fez pouco caso, mudou de assunto. Tudo que conseguimos saber, até então, é que Fidel fazia aniversário no dia posterior de nossa chegada, 13 de agosto. Isso explicava o “90 y más” que vimos pintado em alguns muros.

Por conta do aniversário, o carnaval em Havana acontecia na mesma semana. Também chegamos na época do Festival de Charutos e Festival de Salsa. Surpresas para quem tem costume de não planejar viagem com antecedência.

A paisagem ia ganhando forma quando fomos nos aproximando do centro. Arquitetura antiga, na maior parte mal conservada, quase como se fossem casarões abandonados, salvo que muitas famílias moravam dentro deles. De repente, uma escadaria gigante levava a uma arquitetura greco romana, com uma escultura de “Alma Mater” logo em frente. Era a Universidade de Havana. Parecia bem conservada, ao menos durante a noite.

Do outro lado da rua estava a casa particular de Kuky, um prédio de 1926. Amaury estacionou o carro e logo uma chave foi jogada do terceiro andar – a chave para entrar no prédio. Chegando na casa de Kuky fomos recebidos por ela, uma senhora em seus 60 e poucos anos, com boas vindas e outro sorriso simpático.

Kuky nos apresentou a casa, entregou as chaves do quarto e antes que fechássemos a porta para dormir, exclamou:

– 50 CUC! Se vocês perderem essa chave, me custará 50 CUC para fazer uma nova. A fechadura, então, nem tem quem faça outra por aqui!

(Um engenheiro recebe 20 dólares por mês. 1 dólar = 1 Cuc. Faça as contas.)

Assim começou nossa pequena aventura cubana…

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2 comentários sobre “Chegada em solo cubano.

  1. Muito legal o relato! Continue escrevendo, é sempre interessante ter olhares diversos sobre as realidade dispostas nesses locais tão envoltos de mistérios e dúvidas.

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