Pacha Mama

Há dois meses atrás esbarrei com o Luiz quando saia do KM 0, um bar em Cusco. No mesmo dia cheguei no quarto e comecei a rascunhar esse momento. O rascunho ficou lá, jogado de canto, parado, mas a lembrança de suas palavras ficaram ecoando, fazendo cada dia mais sentido.

O Luiz é um viajante. Tinha voltado fazia um mês do Brasil, onde morou por cinco anos rodando o país como circense. Se formou no Rio de Janeiro mesmo, pois me disse que no Peru essa arte não era valorizada e, se quisesse se profissionalizar, teria que investir muito. No Brasil, no entanto, ganhou uma bolsa de estudos e realizou seu sonho.

Mas afinal de contas, o que o trazia de volta ao seu país?

– Voltei para recuperar minhas energias andinas, de minha raiz. – ele me disse.

Por mais que ficasse longe, acabava voltando para absorver as energias de sua terra, Pacha Mama, e seguir novos rumos.

É por isso que a gente volta. Por mais laços que se criem com pessoas ao longo do caminho, nunca serão tão fortes quanto os da sua terra. Não é saudade, não é fraqueza, não é desespero. É simplesmente recuperar as energias para voltar para estrada e começar novas jornadas.

Mas e quando decidimos deixar uma nova jornada para o futuro? Investimos nossa energia em criar raízes. Voltar ao emprego, criar novos projetos, conhecer novas pessoas, voltar a estudar. Você se empenha, não deve ser díficil. Aí você ouve histórias, conta histórias, bebe para distrair. Você ouve tudo de novo, conta tudo de novo, abre um livro de um cara que deu a volta ao mundo e fica instigado. E aí você percebe que, por mais que tente, parte de você não faz parte disso. Ela está lá, olhando um mapa, achando brecha no calendário, pesquisando novos destinos, agoniada de ver a mochila parada. Ela está lá, pegando um ônibus de última hora para uma viagem de 18 horas, só pelo prazer de se deslocar. Ela está lá te sussurrando, depois de um dia produtivo, “o que você ainda está fazendo aqui?”

Percebemos que todo esforço é em vão. Não nascemos para criar raízes. Nascemos para libertar nossas asas e só ir. Daí a gente revira uns planos, começa a tirar da gaveta, e decide seguir.

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4 comentários sobre “Pacha Mama

  1. Por isso que és tão especial, entende que voltar é preciso, mas que raízes não te prendem e sim te libertam! Que agente ainda consiga dividir uma trip hehe

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