Aeroporto.

O relógio marca 18:10 em Lima, Peru. Ainda devo esperar quatro horas para embarcar. Cansada de ler, parei para observar a sala de embarque ao meu redor.

Bagagens viram mesas de jogos, celulares viram albums de fotografias, cadeiras viram camas, mochilas viram travesseiros, livros viram apoio para escrever (no meu caso), notebooks viram TV, pessoas chegam e pessoas partem; sozinhas, em casal ou em grupo.

Ouço português, espanhol, inglês e holandês. Estranhamente não ouço nada em italiano, apesar de sempre esbarrar com alguns por aí. Me pergunto para onde essa gente toda vai, qual o motivo da viagem, por quanto tempo vão viajar.

Não entendo porque as pessoas insistem em formar filas infinitas enquanto esperam a porta de embarque abrir, sendo que isso não acelera o processo. Conheci algumas que concordam comigo. São aquelas que sobram sentadas nas cadeiras, olhando para a fila com dúvidas e voltando o olhar para os poucos que esperam com calma.

Uma francesa que já morou na Argentina e estava voltando pra casa; uma senhora brasileira que mora na Suíça e ia de férias para o Brasil; um mineiro que estava voltando da Bélgica, depois de uma parada inesperada em Lisboa, pois nosso voo havia sido cancelado no dia anterior.

– Gente apressada, né? – ele dizia, com sotaque.

São dez da noite. Ouço a chamada do voo 919 para Porto Alegre. É hora de voltar pra casa.

  • Escrito ontem, 06/01.
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