Parte de mim.

Estou há alguns dias dormindo pouco e caminhando muito. As vezes me pergunto como aguento, ainda mais no frio. Encontro a resposta no caminho. Aliás, nos caminhos. Faz uma semana que deixei o Quênia e resolvi fazer um pequeno mochilão para lugares que ainda não conhecia pela Europa, completando 30 países na bagagem.

Tenho tanto pra compartilhar, seja sobre o Quênia ou qualquer outro lugar, mas a falta de tempo ou o cansaço acabaram fazendo com que as ideias não fossem transpassadas para o papel. Até que comecei a caminhar por Copenhague (onde estou atualmente) e me dei conta que hoje é o último dia da minha pequena aventura.

Caminho a noite, sozinha, sem medo. Fazia um bom tempo que isso não acontecia. Olho pras minhas botas e percebo a lama e a poeira do Quênia ainda ali. Não porque não tive tempo de limpar, mas porque eu realmente não me importo. É só um par de sapatos. Passo na frente de uma publicidade que diz “today is a great day” e logo me vem em mente as crianças da escola cantando “today is a happy day!”. Começo a rir sozinha.

Sento em um dos bancos do metrô e, enquanto o aguardo, procuro um pedaço de papel na bolsa. Não tem nenhum em branco, apenas mapas e um pedaço de folha com instruções de como ir pro aeroporto de Berlim, as quais uma nova amiga que conheci esses dias me deu. Ainda sobram algumas linhas, então começo a escrever enquanto algumas pessoas observam curiosas.

Parece que parte de mim ainda esta em Kabiria e a outra só quer se perder pelo mundo. Sem itinerários, sem planos. Esbarrando com pessoas diferentes e ouvindo suas histórias. Ajudando-as, se necessário. Seja com uma ação grandiosa ou apenas com um sorriso sincero.

Uma mochila com poucas coisas. Um gorro pra casos de frio. Sem fones, a música eu canto no caminho, eu bato palmas ou eu ouço o que vem da rua. Um celular pra casos de emergência, tipo saudade que aperta.

Dia desses, bebendo uma cerveja com um bom e velho amigo, ele me perguntou “o que tu gosta que as pessoas ao teu redor não gostam?”. Cheguei a conclusão ontem: ficar muito tempo longe de casa.

Dizem que a nossa casa é onde nosso coração está e percebo como isso soa literal pra mim. Minha casa levo comigo,  minha família, meus bons amigos. Aprendi a lidar com a saudade, mesmo as vezes sendo difícil. Estar longe faz você perder momentos importantes, mas faz você viver outros momentos inimagináveis.

São escolhas. E eu fiz a minha.

Parte de mim quer continuar seguindo em frente. E a outra também.

– Escrito dia 20/11/15.

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Um comentário sobre “Parte de mim.

  1. Muito bem. Pois então continue garota. Escrevi no quadro, aos meus alunos, no último dia de aula regular em cada turma e ainda estou escrevendo: “SEJAM FELIZES!!! SAUDAÇÕES GEOGRÁFICAS COM SUCO DE LARANJA!!! BEIJOS!!! PROFª ANGELITA. E junto desenhei umas carinhas sorridentes e, tudo isso, dentro de um coração enorme, quase que no quadro todo. E disse: para serem felizes, escolham uma profissão, que ao acordar todo dia, sintam-se felizes e não esqueçam de carregar na bagagem o desejo de viajar e a realização desse desejo. Segue link da minha fan page: https://www.facebook.com/Geov%C3%ADdeos-com-Suco-de-Laranja-1019910681370774/ Que bons ventos te tragam e bons ventos te levem. Seja feliz. Beijos.

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