O professor Jac.

“Esta sua boca ainda vai te matar.”

Jacob ouvia isso toda vez que saia do roteiro programado pelo governo para lecionar nas escolas públicas da RD do Congo. Era professor de geografia na época em que Mobuto era presidente do país, algo que durou 32 anos.

Ele me disse que o único legado bom que o governo ditador de Mobuto deixou foram as escolas públicas. Construíram tantas e tantas, inclusive em pequenas vilas como a dele.

– Nessa época você podia ver três escolas em uma mesma rua. E todas públicas! Era impressionante. – Ele exclamava.

Dentro de cada sala dessas tantas escolas estavam professores dispostos a ensinar e crianças com vontade de aprender. E do lado de fora de cada sala dessas tantas escolas estava um inspetor do governo escutando tudo o que o professor ou o aluno diziam.

Tudo era controlado. As escolas tinham um mesmo programa de ensino que deveria ser seguido a risca por cada professor. Quem não o cumprisse poderia perder o emprego ou coisas piores poderiam acontecer.

E lá estava Jacob, falando sobre o quanto o governo de Mobuto era corrupto. Mostrando em dados que um dos países mais ricos do mundo vivia abaixo da linha da pobreza, enquanto o presidente enriquecia cada vez mais.

– Você não tem medo? – Perguntava o inspetor.

– Medo de que? Eu prefiro morrer falando a verdade e mostrando para as pessoas o que está acontecendo, do que viver calado e não fazer nenhuma diferença. – Ele respondia.

Jacob cumpriu seu papel de professor como ninguém. Arriscou a vida para que as crianças fossem críticas e pensassem “fora da caixa”. Imagino quantos de seus alunos hoje podem estar fazendo a diferença graças a sua coragem.

Acho que é esse o papel fundamental do professor, deixar um legado na vida do aluno e fazer ele pensar por si próprio.

E o Jacob consegue fazer isso com todas as pessoas a sua volta. Não é apenas um professor de geografia, é um professor da disciplina mais importante: a vida!

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Um comentário sobre “O professor Jac.

  1. Meu colega de profissão. Ser professor é deixar uma sementinha plantada em cada aluno. Daí, depende de como ele vai regar essa semente. Vivemos no Brasil uma grande crise política, se tu não falar o que a classe média quer ouvir tu és tachada de petista. É muito triste. Além de partidos e políticos, nós professores de geografia, temos que falar sempre a verdade. Foi essa promessa que fiz quando recebi meu diploma, mas no Brasil está difícil hoje falar a verdade, as pessoas de uma forma em geral, ainda mais na nossa região e estado, só querem ouvir as mentiras que a mídia espalha pelo país. Meu apreço e parabéns ao GRANDE Jacob, meu colega de profissão. Dê minhas saudações geográficas a ele. Beijos para ti.

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