Maasai.

“Sopa!”

Foi com essa palavra muito comum no nosso vocabulário tupiniquim que conheci uma tribo Maasai. Sopa significa “olá” no idioma Maa. Além disso, falam Suaíle e os mais novos já aprendem inglês na escola.

Chegamos na vila e fomos recebidos com a típica dança adamu, onde os homens pulavam alto enquanto faziam um som grave com a boca, como se estivessem roucos. Nos convidaram para fazer parte do ritual que, claro, acabou em muita risada seja nossa que deles: é quase impossível alcançar a altura de seus pulos.

Me explicaram que o pulo é um ritual que acontece quando um jovem se torna guerreiro, quer demonstrar sua força e atrair uma futura esposa. Quanto maior a altura do pulo, maior as chances de ser escolhido pela mulher. Elas também participam do ritual cantando e dançando como uma maneira de flertar.

A vila que visitamos se encontra próximo a reserva natural, em uma pequena área circundada por galhos formando uma cerca contra a invasão de animais selvagens. As casas são feitas de esterco e barro misturados e sustentados por estacas de acácia.

Tive o prazer de entrar em uma delas, mas já era noite e eles não contam com energia elétrica. A luz que vinha de dentro era apenas da cozinha, onde as mulheres preparavam o jantar em uma fogueira. Me sentei junto a elas enquanto conversava com o Maasai que me acolheu, o único que falava inglês na casa. Me apresentou todo aquele espaço minúsculo: a cozinha, o quarto do casal, o quarto das crianças e o quarto do bezerro, o qual deve ficar dentro de casa a noite devido aos ataques de animais selvagens que podem acontecer na vila.

Ele me disse que as duas mulheres na casa eram suas esposas. São polígamos. Podem casar com mais de uma mulher, caso tenham dotes em vacas. Também me explicou sobre os alargadores nas orelhas que são feitos ainda na infância e hoje servem para distinguir quem foi para escola, por isso é muito comum que as crianças não usem mais este acessório. Os tecidos são xadrez ou listrados misturando o vermelho com outras cores. O vermelho é a cor comum da tribo e as outras cores são usadas para distinguir cada família.

Vivem de forma simples, como pastores de animais, vagando pelas imensas savanas africanas. É graças a eles que muitas reservas, como o Mara, continuam sendo preservadas. São considerados a tribo mais confiável no Quênia, podendo atravessar a fronteira com a Tanzânia livremente. Mesmo saindo da vila e vivendo uma vida “comum” na cidade, os Maasais não deixam de carregar consigo algo que os distingua das outras pessoas, seja um acessório ou uma peça de roupa com as cores da sua família.

Ashai (obrigada, em Maa) pela troca cultural!

masai

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2 comentários sobre “Maasai.

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