Uma tarde em Mathare.

Hoje visitei Mathare, a segunda maior favela de Nairóbi. Assim como todas as outras, não existe saneamento básico. Eletricidade, só com “gato”. Banheiro, só flying toilet ou direto no rio. O primeiro é quando saquinhos com dejetos são arremessados na rua (e é surpresa onde podem parar) e o segundo é um buraco na beira do rio (igual o banheiro que aparece no filme Quem Quer Ser Um Milionário). Por sinal, o mesmo rio em que as mulheres lavam roupas e as crianças brincam.

A situação de Mathare é extremamente complicada, muito mais que na Kabiria. Aqui já pode-se contar com eletricidade e estão encanando o esgoto na rua principal. É interessante observar esse desenvolvimento.

Mas fui parar em Mathare hoje por uma razão especial: conhecer o projeto 50 Sorrisos, idealizado por uma brasileira há alguns anos atrás. O projeto começou com uma escola em condições precárias e hoje cresce a cada dia. É inspirador.

Assim que cheguei, fui super mega ultra bem recebida pelas crianças mais novas, de 3 a 6 anos. Me cumprimentavam sem parar, perguntavam como eu estava, qual meu nome, o que era aquele desenho estranho no meu braço. É incrível a energia das crianças aqui.

Depois fui visitando as outras salas, cada vez com alunos mais velhos, em torno de 14 anos. Grande parte estudava sozinha por não ter professor suficiente para ocupar todas as 11 salas. Hoje contam com quatro professores e, vez ou outra, algum voluntário disposto a ensinar. Mesmo assim, pareciam muito dedicados.

Muitas dessas crianças acabam não tendo estrutura nem suporte da família para estudar, seja financeiro ou apoio. Além disso, Mathare abriga muitas pessoas com aids que na maior parte das vezes não admitem a doença (por ainda ser um tabu aqui), não tomando o remédio dado gratuitamente pelo governo, deixando crianças órfãs. Só no projeto são seis.

Mesmo assim, lá estão elas, aproveitando diariamente a oportunidade de estudo, recebendo calorosamente quem vem visitar. Elas parecem não ter problemas nenhum, se divertem com qualquer coisa, com qualquer pessoa que dê um sorriso, que estenda a mão.

No caminho de volta pra casa vi um menino brincar com uma bola feita de sacolas plásticas amarradas por uma corda.

Quem foi que disse que a gente precisa de muito pra ser feliz?

Esquerda: projeto 50 Sorrisos. Direita: comunidade Mathare.
Esquerda: projeto 50 Sorrisos.
Direita: comunidade Mathare.
Anúncios

Um comentário sobre “Uma tarde em Mathare.

  1. Lastimável a situação da pessoas com aids que não querem se tratar e acabam deixando os filhos órfãos. Quanto à criatividade, quando era criança também tínha que ter criatividade. Ganhava brinquedos uma vez por ano e olhe lá, mas brincava de taco, de enterrar as borboletas que estavam mortas, de esconde-esconde, de pular corda, de roda, de pegar. Felicidade está nas coisas simples. Sente-se muito, pois com certeza, as crianças não tem acesso a educação e saúde. Isso é triste, Beijos.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s