Sonho que se sonha junto.

Hoje também tinha tudo pra ser mais um dia normal de trabalho. Até que o Simbi me fez um convite surpresa:

– Estou indo lá ver a escola das nossas crianças, vamos Niki?

Concordei sem exitar. Já fazia um tempo que tinha curiosidade pra conhecer a escola que os refugiados fundaram para as próprias crianças. E lá fomos nós, juntamente com o Jacob e a Carolina, minha colega de ap.

Chegando na escola, a primeira coisa que ouço é “muzungo!”, claro. Vejo muitos olhares curiosos e sorrisos alegres. Parecia que eu já era amiga de todas as crianças.

A escola é pequena e conta com 6 espaços minúsculos, mas são usados apenas quatro como salas de aula. Entro na primeira sala e me deparo com crianças sentadas no chão. Não tem mesa nem cadeiras. Entro na segunda sala e vejo um menino ensinando o alfabeto para os colegas num pequeno quadro negro apoiado no chão. Os colegas se dividem em duas mesinhas de madeira feitas pelos próprios refugiados. Não tem cadernos, lápis, canetas, nenhum material. Entro na terceira sala, onde a professora está ensinando inglês, e a situação é a mesma.

As outras duas salas que não são usadas são completamente vazias. A idéia é montar uma cozinha, mas se falta recurso até pra comprar um livro, imagina utensílios para isso. Por este motivo, não é possível cozinhar para as crianças. Então elas trazem um potinho com almoço de casa. Algumas acabam dividindo com colegas que não tem o que comer e a maioria come com a mão por falta de colher.

Depois do almoço as crianças saem pra brincar. Cento e vinte crianças com uma bola de futebol e uma corda para pular. Só isso. E quem disse que é pouco? Se divertem como nunca! É claro que entrei na brincadeira, fazia tempo que não chutava uma bola. Que diversão! Depois do “jogo” todas vieram me cumprimentar e eu ensinei o famoso high five com soquinho. Foi motivo pra ficar uns 20 minutos cumprimentando todas elas repetidamente enquanto elas davam gargalhadas. Adoraram o novo cumprimento e eu adorei esse momento de conexão.

Enquanto os pequeninos voltavam para a aula fui conversar com as quatro professoras que não estão recebendo salários há algum tempo e estão pensando em desistir do trabalho. Compreensível. Infelizmente a situação dos refugiados no Quênia é díficil. Muitos deles deixaram uma vida estável devido a guerra. Economistas, professores, veterinários, advogados, jornalistas não encontram oportunidades aqui pelo fato de serem refugiados. Então acabam trabalhando com o que surge, recebendo pouco. Por isso muitos não estão conseguindo pagar a mensalidade da escola que gira em torno de dez reais.

E lá estava eu, diante de toda essa situação, pensando que aquilo poderia acabar de repente devido a falta de recursos. Que aquelas crianças contentes, apesar de tudo o que passam, não teriam mais a oportunidade de aprender. Mas, ao invés de me sentir impotente, me senti forte!

– Jacob, Simbi! Nós precisamos fazer algo! Nós precisamos mostrar isso pras pessoas, nós precisamos de ajuda! – Eu dizia pra eles, numa mistura de empolgação e desespero.

Foi daí que surgiu a idéia de arrecadar fundos para que a escola não pare (link no final do texto). Expliquei que ia escrever pra todos que eu conhecia, espalhar a notícia e esperar que dê certo. Os olhos deles marejaram, assim como os meus. Foi aquela conexão como no dia do teatro, sem palavras, só com o olhar. Sim, amigos, a gente vai conseguir!

Nesse momento estou dando risada enquanto algumas lágrimas caem. É uma mistura de sentimentos que não sei explicar muito bem. A tristeza por ver uma situação como essa e, ao mesmo tempo, a alegria das crianças que contagia. E, acima de tudo, a esperança. Ela que se abriga nos olhos dos refugiados, dos professores, das próprias crianças e em mim. A esperança de que mais pessoas participem dessa pequena mudança mundana, mas que significa tanto para as pessoas aqui.

Porque sonho que se sonha só é só um sonho. Mas sonho que se sonha junto é realidade.

Aqui você pode encontrar mais detalhes sobre a escola e o que precisamos pra manter ela funcionando: http://www.vakinha.com.br/vaquinha/escola-para-criancas-refugiadas

Quem quiser pode contribuir e/ou compartilhar a idéia, pois toda ajuda é bem vinda! Gratidão! ❤

escola

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3 comentários sobre “Sonho que se sonha junto.

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