Transporte público no Leste Africano.

– Jacob! Cuidado!! – exclamei, pegando ele pelo braço.

A gente estava atravessando uma rua movimentada e ele quase foi atropelado. Aqui é assim, não existe faixa de pedestre. Quando tem (no centro da cidade, por exemplo) ela não é respeitada, assim como as sinaleiras. Então para atravessar a rua devemos passar pelo meio dos carros, fazendo com que eles parem.

Pra se locomover por aqui você pode pegar ônibus, matatu ou moto. Existem dois tipos de ônibus: o da prefeitura e os temáticos. O primeiro é como um ônibus público no Brasil, silencioso e com cobrador fixo. Já o segundo é algo que só se vê por aqui. Ônibus pequeno com um corredor super estreito, pintado por fora e por dentro com temas diversos como futebol, Jesus, Ferrari, Adidas, Reggae…já vi até um do Brasil! A música é altíssima, como se você estivesse numa festa. Alguns tem luzes coloridas que brilham durante a noite. E os cobradores são uma incógnita que só fui entender hoje.

O cobrador muda durante a viagem. Eles ficam na porta, que está sempre aberta, chamando as pessoas pra entrar no ônibus. Durante a viagem alguns se penduram na porta, sentindo o vento bater, como se estivessem num bondinho em São Francisco, na Califórnia (experiência, aliás, que recomendo!). Para parar o ônibus eles batem com força na janela para o motorista ouvir e pra voltar a andar eles batem na lateral do ônibus. A passagem só é cobrada depois que o ônibus está relativamente cheio onde o cobrador passa no corredor estendendo a mão.

Hoje perguntei pro Jacob como funcionava o trabalho deles, porque eles sobem no ônibus do nada, cobram de quem entrou junto, depois de um tempo pulam pra fora e outro vem no lugar. Ele disse que os motoristas sabem quais são seus cobradores e por cada viagem eles ganham parte do dinheiro, em torno de 0,20 shilings (moeda local). Vão fazendo isso o dia todo, sempre no mesmo ônibus e nos mesmos pontos.

Além dos ônibus existem os matatus, uma espécie de van com 15 lugares, onde eles enchem até não caber mais gente. Uma vez peguei um com 21 pessoas. Onde sentam? No vão entre uma pessoa e outra. O espaço fica tão pequeno que é possível sentar onde não tem banco e não cair, pois o quadril encaixa certinho entre as pessoas.

E, por último, tem a moto. Essa só peguei uma vez, em Arusha, pra fazer um caminho curto a noite, o que pra mim foi uma vitória porque eu morro de medo de moto! Superei-o com uma linda vista do céu estrelado enquanto a brisa batia no rosto.

Não importa qual dos transportes você escolha, eu garanto duas coisas: a primeira é saltar do banco algumas vezes devido aos buracos nas estradas nos lugares onde não são asfaltadas, como onde moro. A segunda é pegar um longo trânsito nos horários de pico. Já passei duas horas no tráfego em um caminho que levaria 20 minutos.

Apesar de tudo isso, as músicas tornam a viagem divertida e as situações acabam sendo engraçadas.

Em cima: matatu em Arusha, Tanzânia. Embaixo: dois ônibus temáticos por dentro em Nairóbi, Quênia.
Em cima: matatu em Arusha, Tanzânia.
Embaixo: dois ônibus temáticos por dentro em Nairóbi, Quênia.
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