Das minhas várias famílias.

Toc Toc.

– Niki? Niki??

É a voz do Jacob. Abro a porta e, junto com ele, entram o resto da trupe. São nove da noite e eles vieram aqui ver como eu estava. Passei o dia meio mal de saúde (nada grave), então voltei pra casa bem mais cedo que o normal.

– Como você está? Está melhor?

Sim, estou melhorando. Sabendo disso eles aproveitaram pra usar um pouco o computador e ligar pra alguns familiares pelo skype enquanto eu observava a cena e pensava quantas famílias já tive ao longo dessas viagens que cuidaram e  se preocuparam comigo.

Minha primeira mãe fora de casa foi a Ali, uma escocesa meio durona, mas com o coração enorme. Ela era a supervisora do bloco H no Tripos Court, república de estudantes em Cambridge, na Inglaterra, onde morei quando tinha 17 anos. Junto com ela tinha a Karolina, uma polonesa descolada, supervisora do bloco G.

Cambridge foi minha primeira experiência fora de casa. Era nova, não tinha ideia do que queria pra vida e meus pais me deram a oportunidade de fazer um intercâmbio. Na primeira semana tive enjoos e não conseguia comer direito. Acho que era mais psicológico mesmo. E essas duas lindas cuidaram de mim como uma filhota. Depois de passado o susto, foi só alegria. Tanto que prolonguei o tempo de estadia.

Minha segunda mãe foi a Ayesha. Ela era minha professora no mestrado em Milão e a mãe conselheira, que puxava a orelha quando precisava.

– Meninas, vocês estão sozinhas aqui, sabem que sou a big mamma de vocês na Itália! – ela dizia pra mim e pras minhas amigas na classe.

Agora tenho meus três mosqueteiros, que estão do meu lado todos os dias trocando risadas, histórias e batendo na minha porta pra saber se estou bem.

Muito mais pessoas já passaram na minha vida, se tornando mães, pais, irmãos e irmãs por um período de tempo. É por causa delas que a saudade de casa não dói. Mesmo não me comunicando tanto com algumas, a lembrança sempre vai existir.

Ano passado voltei pra Cambridge e bati na porta da Ali. Ela ficou surpresa. Abriu um sorrisão.

– Lembra de mim, Ali?

– Mas é claro que sim!! Onde está seu cabelo azul?

Início desse mês fui visitar a Ayesha na Tanzânia, sua terra natal.

– Munike, me conta tudo o que estais aprontando. O que são essas tatuagens?

E início do ano fui visitar minha hermanita colombiana, a Marce. Ela morou por um período na minha casa no Brasil em 2012 junto com minha família e em janeiro foi minha vez de conhecer a família dela, que me recebeu como um membro também.

– Niki! Niki! – exclamou o Jacob pra mim. Eu estava mesmo distraída nas lembranças. – Amanhã de manhã eu vou voltar aqui pra ver se estais melhor, ok? Pois se não estiver, vamos na clínica contigo.

– Ok Jac! Mas vou estar melhor sim, sou fortona!

Eles riram, eu ri e demos boa noite.

Faz bem se sentir em casa.

Obs.: Mas é claro que de todas as famílias que eu tenho, a minha de berço é a mais linda do mundo! ❤

Em cima: Ali e Ayesha com a turma de mestrado. Embaixo: Minha família junto a família da Marce e os refugiados com quem convivo no Quênia.
Em cima: Ali e Ayesha com a turma de mestrado.
Embaixo: Minha família junto a família da Marce e os refugiados com quem convivo no Quênia.
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