Sobre gentileza.

Atualmente moro em Nairóbi, no Quênia. Por se tratar de uma capital, a vida aqui é mais agitada. Aqui tem trafego, tem gente se esbarrando na rua, tem muito barulho e ônibus lotado. Foi num destes que vi um ato de gentileza que, fui saber mais tarde, é algo muito comum por aqui.

Quando o ônibus está lotado e entra uma mulher com filho pequeno, outra mulher que está sentada sempre pega a criança, coloca no colo e segue viagem, como se fosse seu próprio filho. Achei esse ato tão bonito e, naquele momento, lembrei do dia que estava no trem voltando pra casa (desta vez era Treviglio, na Itália) e um senhor, por volta dos seus 80 anos, apalpava a camisa, os bolsos do blazer e da calça em busca de algo. Perguntei o que ele procurava. Ele disse que não sabia onde tinha colocado sua caneta. Sem pensar muito, fui logo pegando uma caneta no penal que carregava comigo. Ele agradeceu. Enquanto fazia suas anotações, o trem chegou na minha parada. Eu disse que precisava ir, mas ele podia ficar com a caneta. Nesse instante ele arregalou os olhos, me olhou desconfiado e disse:

– Mas você nem me conhece!

– Mas qual o problema? Você precisa disso mais do que eu agora. E eu tenho mais em casa, não se preocupe.

Ele continou me olhando desconfiado e disse, surpreso:

– Nossa! Faz tempo que não vejo alguém sendo gentil, principalmente jovens da sua idade. Muito obrigado, garota!

Muito obrigada você, senhor que não sei o nome até hoje. Sai do trem com um sorriso de orelha a orelha.

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